ESTEATOSE HEPÁTICA

Atualizado: 2 de Dez de 2020

Saiba mais sobre gordura no fígado



Com a facilidade de acesso a métodos diagnósticos como o ultrassom e com o aumento expressivo dos casos de obesidade, temos visto com alguma frequência pacientes recebendo diagnóstico de gordura no fígado, e isso sendo subvalorizado tanto pelo paciente quanto pelos profissionais que o assistem.


A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é o reflexo, no fígado, de um problema sistêmico maior, a SÍNDROME METABÓLICA. As principais condições predisponentes são a obesidade, a dislipidemia, o diabetes melitus e a hipertensão arterial.

Ela engloba desde uma esteatose hepática simples (a popular gordura no fígado), até a esteato-hepatite não alcoólica, que pode levar a dano hepático progressivo, gerando fibrose progressiva, cirrose e até mesmo o câncer de fígado.


No mundo, a esteatose acomete cerca de uma em cada quatro pessoas, podendo ocorrer em todas as idades e em ambos os sexos.


Essa é uma doença silenciosa, com sintomas inicialmente bem vagos e inespecíficos, às vezes um cansaço ou desconforto no andar superior do abdome, e quando progride pra cirrose aí surgem as complicações como sangramento digestivo, ascite (“barriga d’água”), infecções e outras.


Então, a suspeita deve ocorrer no caso da presença dos fatores de risco como pressão alta, sobrepeso/obesidade, aumento da circunferência abdominal, além do aumento das enzimas hepáticas (TGO/TGP) nos exames laboratoriais, e do ultrassom abdominal ou tomografia com a presença de esteatose hepática.


Tem tratamento?

Apesar de haverem tratamentos medicamentosos em estudo, a principal abordagem deve ser em cima dos fatores de risco. O controle da pressão alta, do diabetes, colesterol/triglicerídeos e da obesidade se faz imperativo.


O que se deve ter em mente é uma MUDANÇA DE ESTILO DE VIDA. A PERDA DE PESO, através de uma alimentação adequada, e a prática de ATIVIDADE FÍSICA são as chaves para melhorar as características histológicas da doença.

Ok, mas quanto perder? E qual a melhor dieta?


Os estudos mostram que a perda de peso associada a uma dieta hipocalórica (RESTRITA DE CALORIAS) está intimamente relacionada à redução da gordura no fígado.


Os resultados significativos (melhora histológica) vêm quando se consegue uma perda de gordura maior que 7 a 10% do peso atual.


Existem indícios de que a DIETA MEDITERRÂNEA seria a dieta de escolha para pacientes com DHGNA, mas a evidência dessa recomendação ainda é muito fraca.


Como começar?

  • Uma alimentação baseada em alimentos naturais, minimamente processados, deve ser a base da dieta.

  • Muito mais que cortar carboidratos ou gorduras, procurar um padrão alimentar que seja sustentável ao longo dos tempos tem se mostrado a melhor opção para o manejo do fígado gorduroso.

  • Ainda sobre alimentação, evitar bebidas açucaradas e alcoólicas também é recomendado, pelo risco de piora das disfunções do metabolismo, como aumento do colesterol e da glicose, aumentando também a esteatose.

O segundo pilar vem a ser a prática de atividade física regular.

  • A Organização Mundial de Saúde recomenda cerca de 150 minutos por semana de atividade moderada.

  • Os estudos sobre esteatose mostraram que a ATIVIDADE FÍSICA REGULAR, além de reduzir a gordura no fígado, melhora os outros fatores de risco como hipertensão e diabetes, além de contribuir para a manutenção do peso perdido nos pacientes obesos.


Existe algum remédio milagroso?

Infelizmente não. Vários estudos estão em andamento com drogas promissoras, mas nenhuma delas até hoje teve tanta eficácia quanto a combinação da dupla dieta para perda de peso e atividade física.


É preciso que essa doença seja encarada como uma doença sistêmica, sendo o principal tratamento a correção dos fatores de risco e condições associadas. Procurar um atendimento MULTIDISCIPLINAR, que envolva acompanhamento com nutricionista, médico e educador físico é sempre recomendado, tendo em vista a necessidade de ajustes dietéticos e comportamentais.

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